Delator estima ter pago R$ 20 milhões em propina ao PT

Veja - Laryssa Borges e Carolina Farina
Segundo Ricardo Pessoa, houve cerca de seis reuniões com o ex-tesoureuro petista João Vaccari Neto para que ele recebesse a propina
Dono da UTC Engenharia, o empreiteiro Ricardo Pessoa disse nesta segunda-feira ao juiz Sergio Moro que deve ter pago pouco mais de 20 milhões de reais em propina ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre 2004 e 2014, sendo a maior parte - 15,51 milhões de reais - por meio de doações oficiais à sigla em períodos fora das eleições. Pessoa admitiu que 3,921 milhões de reais foram repassados em dinheiro vivo ao então tesoureiro João Vaccari Neto, já condenado no escândalo do petrolão, e disse ter procurado o petista a pedido do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.
Ao juiz Sergio Moro, Ricardo Pessoa disse se recordar de ter pago 15,51 milhões de reais em propina ao PT a partir de fraudes em contratos envolvendo a Petrobras, mas confrontado com a informação de que, em seus acordos de delação premiada havia projetado cerca de 20 milhões de reais em dinheiro sujo, retificou: "Foram 3,921 milhões de reais em espécie pagas a Vaccari. Não são doações oficiais, são caixa dois. Me recordo de 15,510 milhões de reais [em propina para o PT], mas pode ser que tinha outras obras que somem até 20 [milhões de reais]. Deve ser 15 [milhões de reais] mais 3 [milhões de reais]. A maior parte paguei por doações oficiais", relatou ele.
Segundo o empreiteiro, houve cerca de seis reuniões com João Vaccari para que o ex-tesoureiro recebesse a propina. Nos encontros, normalmente aos sábados, Ricardo Pessoa destacou que o petista "sabia mentalmente" cada percentual do dinheiro a ser embolsado pelo partido. "Certeza [que] Ele já sabia qual era a obra e já sabia o que tinha que acertar. Vaccari nunca levou papéis escritos. Depois que ele conversava, os rabiscos que ele fazia ele destruía", detalhou.

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