Assembleia: eleição hoje sob clima imprevisível

Deputados estaduais assumem mandatos hoje e elegem o novo comando da Assembleia numa disputa que expôs divergências
Do Diario de Pernambuco -Thiago Neuenschwander

Em recesso desde o dia 23 de dezembro do ano passado, a Assembleia Legislativa de Pernambuco retoma hoje as atividades em meio a um clima para lá de turbulento. Quarenta e nove deputados eleitos pelo voto serão empossados logo mais, às 15h, e já terão que resolver o primeiro imbróglio da nova Legislatura: a eleição da mesa diretora.

O atual presidente, o deputado Guilherme Uchoa (PDT), tentará ocupar o cargo pela quinta vez. Deputados contrários à sua permanência ainda tentam evitar que o homem forte da Casa de Joaquim Nabuco possa se candidatar, mas o parecer dado pela procuradoria da Assembleia na última quinta-feira praticamente sacramentou a possibilidade de o pedetista voltar ao poder por mais dois anos.


A confusão em torno da disputa começou ainda no ano passado. Em meados de novembro, durante um discurso em uma sessão plenária, o deputado Raimundo Pimentel (PSB) questionou a constitucionalidade de uma provável candidatura de Uchoa. Em 2011, os parlamentares haviam aprovado a Emenda à Constituição nº 33, que proibia a possibilidade de uma terceira reeleição. O impasse surgiu porque os deputados pró-Uchoa argumentavam que o texto não poderia ter caráter retroativo. Já os contrários à permanência do presidente diziam que não se pode simplesmente borrar os mandatos anteriores à emenda.

Nesse contexto, o PSB sugeriu que lançaria um nome próprio para a disputa, já que possui a maior bancada, formada por 15 deputados. Sem força política para derrubar a influência de Uchoa, acabou se contentando com as indicações para a primeira e segunda Secretarias.

Visivelmente enfraquecido após o processo, o partido ainda arrumou uma crise interna de última hora, quando o Palácio decidiu interferir e indicar o nome de Lula Cabral (PSB) para primeiro-secretário. Diogo Moraes (PSB), que já vinha articulando sua candidatura há três meses, não aceitou a decisão do partido e irá para o bate-chapa. Outros dois nomes surgiram para tentar evitar o continuísmo. 
O deputado Edílson Silva (PSol), que integra o novo bloco de oposição, decidiu apresentar seu nome apesar de saber que praticamente não tem chances de levar a disputa. Ele sequer conta com o apoio de seus companheiros de bloco, que, em sua maioria, decidiram apoiar o deputado Guilherme Uchoa.  O outro nome surgido durante o processo foi o do deputado Rodrigo Novaes (PSD). Governista, diz representar uma parcela de deputados que quer oxigenação na Casa.

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