O HERÓI DO BRASIL
*Dr. Paulo Lima
Disse certa feita o dramaturgo Bertold Bhecht, a seguinte frase: “Triste de um povo que ainda precisa de heróis!” Mas, convenhamos, o que seria da democracia se não existissem esses heróis, salvadores da pátria e das classes menos favorecidas, que costumam aparecer de quatro em quatro anos? Por falar nisso, se alguém começasse a fazer uma contagem sobre as frases mais repetidas num período eleitoral essa – as classes menos favorecidas – ganharia de lambuja! E digo isto porque prefiro mil vezes a pior democracia à melhor das ditaduras, embora existam ainda alguns imbecis, saudosistas, que, vez por outra ousam bradar aos quatro ventos pela volta dos militares ao poder, esquecendo que esse foi o período mais sangrento de nossa recente história contemporânea e tal idéia só cabe mesmo na cabeça de um jumento, com perdão ao querido jerico, animal sagrado para o sertanejo sofrido, imortalizado na canção do grande Luiz Gonzaga. Hoje não tem grande serventia no transporte do sertanejo, já que foi substituído pela famigerada e mortal “cinquentinha”. São os ares do progresso chegando aos sertões, diriam vocês e, na minha opinião, digo que é a carona oferecida aos incautos pela “Caetana”, no dizer do imortal Ariano Suassuna.
Eu sei – e vocês hão de concordar – que, embora no mais das vezes o povo procure um santo ou mesmo um herói em tempos de eleição, parece que no frigir dos ovos ele vota justamente naquele em que mais se identifica e acredito que aí esteja a explicação, pois caso contrário não escolheria tão mal. Se alguém de vocês quiser exemplos concretos basta ler os jornais ou mesmo acessar a internet, num desses blog´s que falam de política e verão jorrar os “Renan Calheiros”, “Eduardo Cunha”, “Sérgio Guerra”, “Eduardo Campos” e similares, mas, e quem votou nesses elementos, será que pensava que estava votando em heróis nacionais? Certamente estava votando num personagem no qual gostaria imensamente de estar no seu lugar. Esta é a grande verdade. Está aí a explicação. Pode ser simplista, mas não conheço outra mais razoável, até que alguém me prove o contrário, ou traga a baila uma teoria mais convincente. O mais interessante é que a gente sempre vive a procura desses heróis, como uma necessidade vital. Coisas de brasileiro.
Em tempo: dedico estas mal traçadas linhas ao povo de nossa terrinha. A rima não foi proposital.
Um abraço a todos.
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