Alta rejeição de Serra agrava racha no tucanato paulistano




O ex-governador José Serra (PSDB) já começou a discutir com antigos colaboradores pesquisas para avaliar a viabilidade de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano. Com base em pesquisas qualitativas feitas com pequenos grupos de eleitores, um dos grandes desafios do tucanato é tentar reduzir os altos índices de rejeição.


Segundo a sondagem mais recente do Datafolha, concluída em janeiro, 33% dos eleitores de São Paulo dizem que não votariam de jeito nenhum em Serra.  O ex-governador está sob forte pressão do PSDB para concorrer à Prefeitura, mas ainda condiciona o lançamento de seu nome à construção de um cenário confortável.

Após reiterar publicamente que não deveria participar do pleito municipal, o candidato tucano — derrotado nas eleições de 2002 e 2010 à Presidência da República — voltou atrás e iniciou articulações para viabilizar sua candidatura. Internamente, o desafio de Serra é tentar a unanimidade e a desistência das pré-candidaturas de Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Trípoli. 

Segundo a Folha, colaboradores do ex-governador sugeriram que ele acompanhasse a evolução das pesquisas por mais tempo antes de tomar uma decisão. Mas os tucanos temem perder o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) se Serra demorar muito para se definir, o que romperia a coalizão que controla a capital desde que Serra se elegeu prefeito com Kassab como vice, em 2004.

A indefinição dos tucanos levou Kassab a abrir negociações com o PT no início deste ano para apoiar o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, mas as conversas foram interrompidas nos últimos dias, depois que Serra indicou que estava reconsiderando sua candidatura. Segundo o prefeito de São Paulo, caso a candidatura de Serra se consolide ele deverá apoiá-lo.

No entanto, se o tucano não se candidatar, Kassab afirmou que será "muito possível" que ele e o seu partido apoiem Haddad. "No passado fomos adversários, não inimigos, mas, como uma aliança se faz olhando para a frente, é muito possível que possa existir essa aliança, se os partidos assim entenderem", declarou o prefeito. "Mas, se Serra for candidato, ele terá meu apoio incondicional", repetiu. 

Racha

Apesar do esforço do governador Geraldo Alckmin para manter seus tradicionais aliados, a costura da coligação que poderia sustentar Serra não está alinhavada. Serra teme a repetição de problemas ocorridos na eleição de 2008, quando o PSDB se dividiu em dois grupos. Uma ala aderiu à campanha de Kassab à reeleição e outra apoiou o lançamento de Alckmin como candidato.

O resultado do racha tucano foi uma derrota nas eleições que manteve Alckmin longe do segundo turno. Serra espera que Alckmin encontre uma solução para evitar que o desfecho das prévias para escolher o candidato a prefeito não vire um obstáculo a sua candidatura.

O lançamento da candidatura de Serra ainda divide seus principais aliados. Uns defendem que ele concorra mesmo se houver risco de derrota, com o argumento de que ele manterá assim seu nome em evidência.

Outros acham que Serra só deveria concorrer se as condições forem favoráveis. Para outros, ele deveria se preservar para a eleição presidencial de 2014. 

Terceira via

Enquanto o PSDB paulistano segue às voltas para tentar uma estratégia capaz de superar a rejeição de Serra, os conflitos internos sobre a realização das prévias do partido e a possível desistência das quatro pré-candidaturas tucanas, o PCdoB paulistano mantém o nome do vereador Netinho de Paula à Prefeitura. 

Em entrevista ao Vermelho na última sexta-feira (17) Netinho afirmou que a possível participação de Serra no pleito não muda o posicionamento do Partido nas eleições paulistanas. 

“É importante as pessoas saberem que não é uma decisão do PSD ou do PT que irá mover o que o PCdoB está decidido a fazer. O PCdoB não vai a reboque de nenhum partido”. Netinho reiterou que o lançamento de candidaturas majoritárias nas principais capitais do país integra uma orientação do próprio Comitê Central do Partido. 

“Temos buscado muito apoio e seguido as orientações do presidente nacional do Partido, Renato Rabelo, que tem mantido constantemente conversas com lideranças partidárias em Brasília. Temos sustentado uma conversa muito boa com o PRB e também com o PMDB — no sentido de mantermos a nossa candidatura e lá na frente, quem sabe, formarmos uma aliança com aqueles que estiverem melhores posicionados” afirmou. 

Mariana Viel, com informações da Folha de S.Paulo

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